Archive for the 'filosofice' Category
Pop Art e a geração youtube
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O que isso quer dizer? Por que eu ia querer assistir Andy Warhol comendo? E por que diabos ele abre o sanduíche, pra colocar o ketchup na embalagem? São muitas as perguntas que ficam depois desses longos 4 minutos. Mas para a primeira, não gaste tanto sua massa cinzenta; o próprio Andy dá a dica: “My name is Andy Warhol, and I just finished eating a hamburguer”. Só isso. Pois era a intenção do dinamarquês Jørgen Leth, diretor de “66 Cenas da América” (essa aí em cima é uma delas): mostrar fatos corriqueiros sem narrativa para desafiar os clichês dos EUA, um olhar antropológico da coisa. Mas se fosse um filme do Warhol, as intenções poderiam ser outras. Ele sempre tematizou a adoração por mitos e ícones produzidos pela mídia, mostrando a impessoalidade deles: Marilyn Monroe, Elvis Presley, Coca-Cola, sopas Campbell….E ele mesmo se produziu como mito. Talvez com esse filme estaria rindo disso, porque além de se apropriar do modo serial como a publicidade produz, com a técnica de serigrafia… …Ele bolou vários outros modos de chamar atenção. Tinha sósias que se faziam passar por ele durante conferências e acontecimentos sociais, respondia entrevistas de forma monossilábica e algumas vezes até deixava outros responderem por ele. Se tornou uma personalidade curiosa, e atraiu atenção não somente por sua arte (ok, talvez fazendo parte dela…). Enfim, foi um belo publicitário – o que para artistas da Pop Art não é necessariamente um insulto. Se estivesse em nossa época, o filme poderia tanto ser uma perfomance vídeo-art, como uma tentativa viral de sucesso (oras, tem 227 mil views!). Poderia até vender a idéia para o Burger King ou para o ketchup Heinz. Falando nisso, parece que ele errou na sua profecia (e slogan) “Um dia, todos terão direito ao seus 15 minutos de fama”, por 5 minutos. Ah, você já esperava que eu ia falar disso? Então não vou, mas aqui vai uma ação que lembra toda essa história: |
Why so serious?
“A Warner Bros e os produtores de Batman, The Dark Knight (2008, ainda inédito) confirmaram há pouco que as informações sobre a suposta morte do ator Heath Ledger foram uma estratégia viral para a divulgação do filme. Aproveitando-se do fato de Heath Ledger sofrer de catalepsia, foram contratados médicos para induzir o ator a esse estado. Frente à alegações de que a brincadeira não teve graça nenhuma, Raphael Zigovzky, diretor de marketing da companhia, declarou que essa era a intenção da ação, mostrar que o Coringa (personagem interpretado por Ledger) é um fazedor de ‘piadas mortais‘.”
Calma, calma… Antes de comemorar que Heath Ledger está vivo, ficar nervoso porque foi enganado por publicitários sem limites ou entusiasmado com uma bela e ousadíssima ação de marketing de guerrilha, procure saber se isso é verdade. Ok, ok, já adianto que não é. Foi só um post de Ian Black. Talvez esse seja um efeito positivo de ações de guerrilha que se passam por notícias verdadeiras (o chamado marketing invisível): com o tempo, as pessoas vão acabar deixando de crer de primeira em tudo que ouvem, ou tomar como verdadeiras qualquer coisa que lêem nos jornais e vêem em noticiários de TV. E aí junto com isso, a internet, sempre ela, que apesar de oferecer muuuuita coisa que não merece credibilidade, vai tornando as pessoas um pouco mais ativas quanto à busca de informação. Mas e aí: será que uma ação desse tipo é possível, viável, desejada, teria potencial de sucesso (não só awareness)? Ok, chamar médicos para induzir um estado cataléptico é demais. Mas vamos supor que a ação fosse disseminar pela internet uma nota como essa acima, falsa, depois da morte do ator, só para criar bastante discussão em torno da possibilidade de ela ser verdadeira. Assim, haveria muita conversa sobre o filme - e depois disso, curiosidade para ver o falecido em sua última aparição. Ok, você vai dizer que é uma brincadeira de mal gosto e anti-ética. Enfim, questões morais à parte, deve ter muita coisa aí que provavelmente nunca tomaremos conhecimento, mas que foram verdadeiras ações de marketing invisível (link conspiratório aqui). Sem contar tantas outras que nunca vão sair do papel, porque a gente sabe que muita gente gosta de acreditar cegamente na mídia, no jornal, nas revistas, e não gosta de se sentir enganada com brincadeiras como a da Kaiser e a Karina Bacchi. E é nisso que a gente pensa na hora de censurar nossa ousadia: que essas pessoas representam a maioria. Mexer com um tema como morte pode ser meio pesado, mas será que o pessoal não acaba levando essa ânsia por veracidade dos fatos a sério demais? “Why so serious?” - perguntaria um Coringa guerrilheiro. Geralmente notícias falsas que encobrem ações de marketing não são tão importantes assim, a não ser que você acredite cegamente que vão internacionalizar a Amazônia… (como fez certo alguém). Que tal nós, consumidores, pessoas de bem, encarar essas ações como um ARG, um jogo, e perceber que as marcas só querem brincar um pouco com a realidade? Aí talvez nosso dia-a-dia com a propaganda fique mais divertido. Provavelmente esteja fazendo perguntas retóricas demais. Então é sua vez de continuar a conversa: o que você acha disso tudo? Comenta aí! |



