Nov 30

Cantor pop indiano é desmascarado

Category: SDS, buzz, guerrilha, viral
Nos últimos meses, uma nova sensação invadiu as paradas da MTV indiana. A estrela é SILKY KUMAR, e o nome do hit é “Scent of Desire”. Vale a pena conferir:

Ok, mas e daí? Bem, depois de se tornar o cantor mais popular na Índia do momento, Buemba! - como diz Zé Simão -, o artista teve sua identidade revelada: era na verdade uma criação da Unilever para promover o desodorante Axe, com a parceria da MTV e tudo. O clipe do Silky aparecia a cada 20 minutos desde seu lançamento e o artista tinha perfil nas principais redes sociais; por sinal, cheios de comentários e recados de fãs (femininas, é claro).

silkykumarsocialmedia.gif

É verdade que alguns blogs* descobriram a ação um pouco antes da revelação oficial, mas a maioria nem desconfiou até que a própria Axe a fizesse de modo bastante oportuno:

(atualização: o vídeo foi removido, mas ele tinha um formato de matéria jornalística e revelava que o cantor era um funcionário da Axe que estava usando seu novo lançamento sem autorização, para atrair mulheres e conseguir sucesso.)

* O blog Conceptual Aura, por exemplo, levantou uma suspeita em relação a falta de veracidade do artista antes da hora, e recebeu um e-mail (supostamente gentil) da agência responsável pela ação, pedindo que não revelasse mais que Silky era um anuncio da Axe até o momento certo, para que não estragasse o árduo trabalho que tiveram (“please don’t spoil all our hard work for us!”).

Opinião nossa

A Axe indiana e sua agência fizeram uma ótima ação de engagement, inserindo a marca na cultura pop e optando por criar conteúdo ao invés de interrupção. Ainda souberam muito bem utilizar os métodos guerrilheiros, participando de redes sociais e multiplicando o retorno do investimento em mídia com bastante mídia espontânea….Palmas pra eles!

Mas fica a dúvida, porque a mesma agência que teve essa ousadia precisava tentar controlar a voz do consumidor? Faltou um pouquinho de bom relacionamento para que esse pequeno controle não fizesse surgir a palavra “Thread” (“ameaça”) junto com a mídia espontânea merecidamente conquistada pela ação.

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